segunda-feira, 19 de julho de 2010

Cabelos à vista!!

Uma penugem de neném. Finos, escuros e com vestígios ainda da careca. É um dilema, se olha no espelho e não se reconhece. Reconhece à falta de cabelos, a retenção de líquidos causada pelo corticóide, à mutilação do seio!
Mas reconhece que tudo tem um prazo. E que é preciso paciência, pois tudo voltará ao normal. Normal como antes? Nunca mais.
Outro cabelo, outra careca, outra cabeça. Eu diria ainda melhor! É de espantar a leveza como fala de sua vida, dos seus sonhos e até mesmo das suas dores. Dores causadas hoje pela sua aparência é fato. Quase chorou ao confessar: “parece que preciso dar satisfação do meu estado para todos, é como se eu estivesse afrontando alguém, é uma agressão o modo que me olham, às vezes me incomoda! E entendo que ficarei nessa situação por um tempo”.
Como é difícil. Eu queria possuir o poder da mágica para dar a ela o dom da invisibilidade, mas que ironia o que escrevo! É exatamente o contrário, temos que enxergá-la todos os dias. Eu preciso disso, é o meu combustível, é a certeza de que a vida continua. Mesmo sem cabelos, ela permanece viva.
A vida dela não para. A vida ficou parada aos donos dos olhares indiscretos e maléficos, pois perderam o seu tempo nesse breve instante quando não entenderam que é apenas aquilo que viram. Nada mais!
Antonie de Saint-Exupéry autor do livro O pequeno príncipe escreveu: "O verdadeiro homem mede a sua força quando se defronta com o obstáculo". A força da Camila é imensurável, os obstáculos são postos diariamente e um por um ela vai implodindo como quem manda aos ares um rochedo arraigado. Ainda bem que existem no mundo pessoas fortes. Camila é uma.
O ano chega a sua metade e ela traz em seus ombros uma carga inestimável. Em seus pés a fé que precisa prosseguir e na sua cabeça não os cabelos, mas a única certeza: saúde!





quinta-feira, 15 de julho de 2010

Eu envolvida...



Não somente com a enfermidade da estação. Mas com a doença do caráter, penso na moça ofertada aos cães raivosos que fez meu estômago saltitar passos ritmados. Inconcebível tal fato, pela brutalidade e indícios de crueldade. É digno de aversão coletiva, nos faz refletir que o mundo está “ao Deus dará”, entregue a penúria, ao acaso, sem rumo, sem norte.
Eu envolvida...
Não somente pelo desejo de ser mãe. Mas naqueles filhos no comando de uma casa. Modismos ditam o novo estilo de vida? Inversão dos tais valores. Hoje nada mais do que clichê perdidos juntamente com investimentos na educação e incentivo ao posto de novos cidadãos.
Eu envolvida...
Não apenas em virar Cinderela e morar num castelo encantado. Mas, pensando nas famílias que vivem no lixão e que de lá tiram seu sustento, alimento e formação.
Eu envolvida...
Não apenas em como melhorar minha profissão. Mas naqueles que adoecem por conta do estresse no trabalho fazendo sugar todas as energias, além de devorar o paradigma de mens sana in corpore sano.
Eu, comigo mesma, estabeleço uma conversação. Pacífica. E percebo que de tanto ficar envolvida com enigmas de difícil resolução, noto, que para todas as minhas charadas existe sim uma solução! E com direito a mapa da mina. Nesse pergaminho, existem dois caminhos: o primeiro árduo e repleto de curvas sinuosas, o segundo dotado de majestosas e frondosas paisagens. Nesse momento estou na encruzilhada pensando "conseguirei o pote de ouro, mas posso poupar minha saúde e tempo buscando aquilo que me faz bem. Com o pé direito, dou o primeiro passo "

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Uma descoberta!

Vinha hoje dirigindo, na rádio Nora Jones cantando Chasing Pirates lembrei-me de uma cena. Chorei. Eduardo no altar sendo batizado e recebendo a benção. No rosto, um sorriso puro, que sugere a magnitude dessa idade. Camila também se emocionou.
Passando pela praia de Camburi, pensava no dia de amanhã. Ficará noiva. E é de alguém que comprou briga com a doença e consegue amá-la pelo simples fato de se-la. Chorei de novo.
Parada no sinal, do lado o Boulevard da Praia, senti um contentamento ao refletir naqueles especiais que ao me ver dizem “Boa Tarde Tia Fernanda”. Chorei mais uma vez.
Virando a curva para entrar na Avenida Marechal Campos, pensei como gosto de voltar pra casa depois de um dia fatigante de trabalho. Sorri.
Entrando no Bairro de Lourdes não via hora de chegar e comer o pão quentinho trazido pelo meu pai. Sorri alegremente.
Ao chegar à rua me deparei com minha casa e ao ver a luz do quarto dela acesa, não me contive. Ri demoradamente.
Subi as escadas num só galope e no último degrau ao abrir a porta um sentimento tomou conta de mim e definitivamente percebi que a busca incessante pela tal felicidade tinha se acabado. Entendi que essa tal felicidade antes de morar ali, aqui ou acolá precisa morar dentro de mim. Agora, ela tem residência fixa.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

O caminho...




Tentei fugir de algo que sempre busquei, caminhei apostando achar a cópia fiel. Os pés foram ficando feridos e a moça infeliz. Foi possível perceber que conseguia viver só, mas, faltava algo. Faltava o coração.
Perambulei durante um tempo, sem rumo, sem dono. Fui tão distante, fui ao extremo e quando pensei em renunciar lembrei-me que deixei pegadas possíveis de retornar. E foi isso que fiz. Aí, aqueles pés moribundos, agonizantes, se renderam. E voltei! Mesmo cansados foi possível um reencontro.
Decidi não mais lutar contra o seguro, contra o protegido, contra o verdadeiro. De fato não foi fácil voltar, mas de fato foi fácil aceitar. Foi fácil entender, foi fácil dividir e foi fácil querer.
No caminho de ida vi o novo. Foi saboroso. Mas passageiro. E logo enjoei. Pois o novo era só novo. Não tinha a magia do antigo, do conhecido. Era só aquilo, depois de desvendar queria voltar para casa, para o ninho, para o aconchego, para aquilo que sempre foi real.
No caminho de volta vi minha história e como fui feliz! Vi o quão é forte, por suportar meus altos e baixos, por nunca desistir de mim, de nós. Por entender minhas perdas, minhas dores e me dá o colo que tanto necessito. Tive vontade de viver tudo de novo, sem medo de pertencer, sem medo de ser de alguém, sem medo de ser, sem medo.
Voltei por mim, voltei por nós.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

O vencedor


Pai. O texto fala dele. Sua trajetória é marcada principalmente por sua melhor qualidade, a hombridade. De infância humilde, apaixonado pelo Botafogo, o menino franzino que vendia “sonhos” na porta do cinema e engraxava sapatos vislumbrava dias melhores. Fez do seu desejo, seu legado. O encontro com a “baixinha” era a força motriz que faltava. Construiu nosso patrimônio com sua ajuda e por ser tão perfeccionista e persistente em suas ações. Perfeição para alcançar o seu lugar ao sol.
Personalidade forte, passos fortes, olhos fortes... Forte na doença dela. Uma muralha. Não fraquejou. Mas, já era hora de chorar e chorou feito pequeno na partida. Amputaram o seu amor e ele não mais voltaria. E a saudade? Essa doía palpitada.
Na doença da filha, já sabia a lição...
Desde sempre foi intenso, com a casa, com os valores, com as filhas. Em contrapartida em muitas situações o vejo frágil. Falo de uma fragilidade que transborda junto ao choro. Acho bonito de se ver, porque entendo como desculpas. Vejo-me parecida...
Meu pai. Meu espelho! Me emociono!As lágrimas também são de desculpas. Principalmente por não entender. Acho que é vitorioso exatamente por se mostrar tão capaz de superar com dignidade tudo aquilo que lhe é dado como provação. Fica também o exemplo e a eterna gratidão.
Profetizo sua velhice e sei que dela participaremos ativamente. A música cantada por Elis Regina com tanto fervor reverbera o meu pensar. “... nossos ídolos ainda são os mesmos e as aparências não enganam não, você diz que depois deles, não apareceu mais ninguém...” E jamais aparecerá.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Antes que seja tarde (música)

olha, não sou daqui
me diga onde estou
não há tempo não há nada
que me faça ser quem sou
mas sem parar pra pensar
sigo estradas,sigo pistas pra me achar

nunca sei o que se passa
com as manias do lugar
porque sempre parto antes que comece a gostar
de ser igual, qualquer um
me sentir mais uma peça no final
cometendo um erro bobo, decimal

na verdade continuo sob a mesma condição
distraindo a verdade, enganando o coração

pelas minhas trilhas você perde a direção
não há placa nem pessoas informando aonde vão
penso outra vez estou sem meus amigos
e retomo a porta aberta dos perigos

na verdade continuo sob a mesma condição
distraindo a verdade, enganando o coração

na verdade continuo sob a mesma condição

PATO FU

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Caridade x Insatisfação

Insatisfação? Sensação da vez! Faço diariamente essa reflexão e posso definir como um misto de vazio interior com desagrado exterior. Carrego comigo seqüelas vivenciadas no passado e presente que ainda imperam fortemente. Penso como solução imediata a prática da caridade. E penso que é um anseio com dois significados, um sentimento em beneficio próprio e ao outro. De fato é isso mesmo, a possibilidade de amar ao próximo como a ti mesmo.
Tenho almejado paz de espírito. Reconheço a importância dos momentos de meditação. E neles me questiono sobre a prática da caridade. Sobre os preceitos doutrinados por Jesus Cristo e pela vontade de exercer o amor da forma mais singela e verdadeira, tento romper de vez com sentimentos ambiciosos em prol da felicidade, buscando o real sentido da nossa existência.
O exercício da caridade é a possibilidade de se colocar no lugar do outro. É abnegar do egoísmo, fazendo das necessidades alheias busca para transformação interior e também utilidade social. Já que para muitos, os impostos cobrados pelo governo já nos isenta do nosso papel perante aos princípios do cristianismo, que seria o sentimento de altruísmo ou a caridade.
E não falo de muito! Falo de gestos simples, o de ouvir por exemplo. Alivia a dor. E nos faz útil. Faz-nos sentirmos grandes! Sustentar a esperança de que os dias possam ser melhores é fazer o bem. Nutrir ao semelhante conforto espiritual é exercer a benevolência.
De novo volto para mim, mais uma vez. Às vezes me deparo com a escuridão, penso em esmorecer, mas, retroceder jamais! E me lembro que cada um de nós tem sua missão. E distingo a minha no meu trabalho, naquilo que faço com tanto comprometimento e convicção.
Nesse momento me sinto completa, tomada por sensações do bem! E reconheço que a tal insatisfação nada mais é que falta desse preenchimento e percebo que fazer a caridade é fazer o que gosto, é praticar o AMOR!