Uma penugem de neném. Finos, escuros e com vestígios ainda da careca. É um dilema, se olha no espelho e não se reconhece. Reconhece à falta de cabelos, a retenção de líquidos causada pelo corticóide, à mutilação do seio!
Mas reconhece que tudo tem um prazo. E que é preciso paciência, pois tudo voltará ao normal. Normal como antes? Nunca mais.
Outro cabelo, outra careca, outra cabeça. Eu diria ainda melhor! É de espantar a leveza como fala de sua vida, dos seus sonhos e até mesmo das suas dores. Dores causadas hoje pela sua aparência é fato. Quase chorou ao confessar: “parece que preciso dar satisfação do meu estado para todos, é como se eu estivesse afrontando alguém, é uma agressão o modo que me olham, às vezes me incomoda! E entendo que ficarei nessa situação por um tempo”.
Como é difícil. Eu queria possuir o poder da mágica para dar a ela o dom da invisibilidade, mas que ironia o que escrevo! É exatamente o contrário, temos que enxergá-la todos os dias. Eu preciso disso, é o meu combustível, é a certeza de que a vida continua. Mesmo sem cabelos, ela permanece viva.
A vida dela não para. A vida ficou parada aos donos dos olhares indiscretos e maléficos, pois perderam o seu tempo nesse breve instante quando não entenderam que é apenas aquilo que viram. Nada mais!
Antonie de Saint-Exupéry autor do livro O pequeno príncipe escreveu:
"O verdadeiro homem mede a sua força quando se defronta com o obstáculo". A força da Camila é imensurável, os obstáculos são postos diariamente e um por um ela vai implodindo como quem manda aos ares um rochedo arraigado. Ainda bem que existem no mundo pessoas fortes. Camila é uma.
O ano chega a sua metade e ela traz em seus ombros uma carga inestimável. Em seus pés a fé que precisa prosseguir e na sua cabeça não os cabelos, mas a única certeza: saúde!




