terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Os meus cachos

Camila vai bem. Tem dias que acorda de mal com as melenas, já que insistem cachear. Aquilo que foi é. E será. Passa um gel para alinhar ou um spray para fixar. Mas ta lá, o cacho brota. Brota da alma. Brota pra todos os lados, pra todos os cantos, pra todos os cachos. Cacho. Cacheados. Encaracolados. Enrolados. Enrola pra ela. Pra mim tanto faz. Tanto faz o cacho, tanto faz o encaixe. Encaixou. Perfeito. Ta lá na cabeça de coco. Tá aqui. Tá todos os dias. Tá viva. Mais ela quer encaixado. Não pode fazer “redemoinho”, tem que ficar certinho. O cacho eu acho lindo! Acho linda até a cicatriz do peito. Achava linda mesmo quando tinha poucos cílios e quase nenhuma sobrancelha. Egoísta? Acho que sou. Quero-a todo custo, com qualquer forma, com qualquer cabelo, com qualquer cacho. Cacho loiro ou acinzentado. Cacho comprido ou encurtado. Cacho rebelde ou arrumado. Velhos ou novos cachos. Cacho eternizado.

domingo, 31 de outubro de 2010

A história de uma escolha



Convicta fui hoje votar. Entendo que vai muito além de um dever cívico. Entendo como uma verdade única. Entendo como desejo de não se abster da importância que temos na escolha daquele que presidirá por nós. É uma sensação que cultivo desde os meus dezesseis, vou emocionada. Na verdade me emociono com eleições. É assim desde menina. Nos tempos que ouvia sobre o Leonel, depois ativamente com o Lula lá e na escolha atual. Interesso-me pela corrente do saber. Daqueles que detêm a informação, seja ela porque viveu ou apenas leu em algum lugar. Confesso que pouco sei sobre a história, os movimentos da época, lutas sindicais. Confesso que pouco sei sobre os grandes feitos do passado. Mas afirmo que não me julgo alienada perante o "metiê" atual. Tenho sim um fato concreto. Passiveis de reforma? Sempre. Sou mutável. Mutante. Mudo. Tenho mudado. Vejo-me mulher. Sinto-me assim. É uma sensação indescritível. Aprendida com a doença. Com Camila. Mamãe. Meu pai. Pacientes. Família.
Comecei falando da política, pois isso que sinto quando vou as urnas, não é uma felicidade efêmera, me sinto convencida. Tenho certeza. Razão. São minhas escolhas. Escolho hoje viver menos raivosa. Menos ansiosa. Menos pitiática. Escolho hoje viver em harmonia. Escolho. Que beleza é a democracia de escolher. Escolher o que quero para mim e meu país. Comprometo-me viver essa sensação eternamente. Nunca esquecida. Nunca obsoleta. Viver acreditando. Viver na busca pela esperança. Onde almejo paz interna. Paz para o meu país. Acreditando num mundo justo, mais igualitário. Acreditando sempre naquilo que pleiteio. Hoje, acreditando nela.

Minha singela homenagem aos verdadeiros líderes desse país. Viva!
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domingo, 12 de setembro de 2010

“Abre essa janela, primavera quer entrar...”


Sinto o sol reaquecendo a casa, fazendo brotar vida adormecida durante um gélido e longo inverno. Flores são o símbolo dessa exuberante estação que nos brinda com sua beleza e sensação de reflorescer. Reanimar. Revigorar.
Pulsa no peito o desejo de uma nova era. Era dos sonhos, da vida que segue, do triunfo da vitória. Em seu olhar, o tilintar dos sinos que dizem: “já é hora”. Hora de colocar em prática aquilo que aprendeu com a doença e vislumbrar dias de muita luz.
O enxoval quase feito, os cabelos resolveram vir ao encontro, os estudos prontos! A roupa começa a ter mais cor, a boca imita a flor e os dias com mais sabor. Ainda corre em busca da silhueta, a fé sempre fresca e a doçura de ser alguém que não se queixa.
Em meio ao azedume que viveu, adubou e regou a terra hostil e inóspita. Deixou a luz entrar e o jardim começou a desabrochar. Nele renasceu: rosas, jasmins, hortências, violetas, antúrios, margaridas, copos de leites, crisântemos, tulipas, girassóis... Camila.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Esther.



Significa estrela. Estrela guia. Estrela que me guia. Que guia a nós. Irmã da mãe. Nossa tia. Quase mãe. Um café, um almoço e um conselho. Uma coca-cola, um suco e mais conselhos. Um conselho sobre a vida, a roupa e o cabelo. Um conselho sobre o namorado, casamento e emprego. Papo longo, papo curto, tudo é motivo pra papo. Papo sempre bom. Papo às vezes chato. Papo sem papas na língua.
Diz-se baixinha, eu digo que é! A mais das irmãs. Mas é baixinha só no tamanho. Abraça o mundo, pois é boa, boa de coração. O gênio é meu também, numa versão melhorada que a idade ajudou a compor. Eu digo que é mãe do filho luminoso e é filha iluminada.
Presente em tudo. Na saúde e na doença. Principalmente na doença. Estava lá quando soube que tinha câncer, estava lá quando partiu. Ouviu seu último suspiro, sentiu o seu penar. No velório discursou: “Vai minha irmã querida, descanse em paz”. Eu cuido aqui das meninas, na verdade isso não foi dito. Ficou implícito. Cuidou. Cuida.
Cuida da Camila e da sua dor, pede para não raspar a cabeça, que é pra deixar que os cabelos se vão. Pede pra usar a peruca, compra a peruca. Pede que eu seja melhor, melhor de gênio, melhor de jeito, melhor por dentro. Cuida oferecendo sua casa num dia de sol ou chuva. Cuida ligando pra saber como estamos. Cuida ausente. Cuida com os olhos.
Outrora, foi Teté. Hoje Tia Esther. Um dia meio avó Esther. Para sempre quase mãe Esther.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Uma música pra ela.

Mamãe cantarolava essa música despretensiosamente, porém no fundo era sim para os seus três filhos. Ainda ouço-a cantar pela casa, um canto sereno juntamente como regava as plantas e como ao final da vida murmurava palavras doces de despedida. Hoje sou eu que canto a mesma canção pra ela “ ... agora era fatal que o faz de conta terminasse assim, pra lá deste quintal era uma noite que não tem mais fim, pois você sumiu no mundo sem me avisar e agora eu era um louco a perguntar, o que é que a vida vai fazer de mim?” Fez!


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sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Do lado direito do peito.

Eu tento não pensar que serei a próxima. Mas, confesso que não é fácil! Vivi até então e pude assistir sangue do meu sangue adoecer. De formas distintas as duas padeceram do mesmo mal. Sou filha e irmã, mas sou Fernanda e desejo não querer pra mim. Mas penso. Resisto, mas penso. Não vou ser a próxima. Mas penso.
A dor de perder a mãe ficou acumulada no peito. A minha dor andou por onde durante esse tempo? Diluída em doses homeopáticas em cada pedaço de mim, que ainda sangra quando penso que foi... da maneira que foi. Eu, Camila. Somos acima de tudo irmãs. Mas, processamos o sofrimento de maneira oposta.
Adoeço também. Adoeço angustiada. Sofro mais. Faço estardalhaço. Ela se cala. Choro de soluçar. Ela chora calada. Bato a porta raivosa. Ela bate silenciada.
Se pensarmos, eu tinha todos os ingredientes para que isso acontecesse comigo. Mas se pensarmos melhor, eu ainda apesar de tudo, guardo, falo, guardo, grito, guardo, falo mal. Ela guarda, guarda, guarda e guardará para sempre... do lado direito do peito.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

(Eu) Choro.

No banho. No Carro. Sozinha. Com gente.
No culto. Em casa. Andando sorrateiramente.
(Eu) Choro.
Com músicas. Com fotos. Com livros.
Por ELE. Por nós. Por motivos.
De dor. De felicidade. De saudade.
(Eu) Choro.
Cansada. Entristecida.
Esperançada. Comprometida.
Com fé. Em pé.
(Eu) Choro.
Por sonhos. Trabalhos. Filhos ainda amados.
Por Lucas. Por Vera. Por ELA.
(Eu) Choro.
Por colo. Afago. Cuidado.
(Eu) Choro.
Sim. Por mim. Pelo fim.
"Guerreiros são pessoas, tão fortes, tão frágeis"