
Pai. O texto fala dele. Sua trajetória é marcada principalmente por sua melhor qualidade, a hombridade. De infância humilde, apaixonado pelo Botafogo, o menino franzino que vendia “sonhos” na porta do cinema e engraxava sapatos vislumbrava dias melhores. Fez do seu desejo, seu legado. O encontro com a “baixinha” era a força motriz que faltava. Construiu nosso patrimônio com sua ajuda e por ser tão perfeccionista e persistente em suas ações. Perfeição para alcançar o seu lugar ao sol.
Personalidade forte, passos fortes, olhos fortes... Forte na doença dela. Uma muralha. Não fraquejou. Mas, já era hora de chorar e chorou feito pequeno na partida. Amputaram o seu amor e ele não mais voltaria. E a saudade? Essa doía palpitada.
Na doença da filha, já sabia a lição...
Desde sempre foi intenso, com a casa, com os valores, com as filhas. Em contrapartida em muitas situações o vejo frágil. Falo de uma fragilidade que transborda junto ao choro. Acho bonito de se ver, porque entendo como desculpas. Vejo-me parecida...
Meu pai. Meu espelho! Me emociono!As lágrimas também são de desculpas. Principalmente por não entender. Acho que é vitorioso exatamente por se mostrar tão capaz de superar com dignidade tudo aquilo que lhe é dado como provação. Fica também o exemplo e a eterna gratidão.
Profetizo sua velhice e sei que dela participaremos ativamente. A música cantada por Elis Regina com tanto fervor reverbera o meu pensar. “... nossos ídolos ainda são os mesmos e as aparências não enganam não, você diz que depois deles, não apareceu mais ninguém...” E jamais aparecerá.